Hoje em dia o GPS está em moda, principalmente devido aos navegadores GPS utilizados em carros e aí você se pergunta por que eu deveria usar um gps na bike, o que eu ganho com isso além de estar na “moda” ?
Em primeiro lugar, deixa eu me apresentar, meu nome é Adilson Luiz dos Santos e trabalho com sistemas GPS há mais de 15 anos. Já fui motociclista, jipeiro, off- road, ralizeiro e hoje sou ciclista. Hoje tenho bike speed, mtb, pratico cicloturismo e é lógico, sempre na companhia de um GPS e em alguns casos com o SPOT, sobre o qual falarei mais adiante. Portanto a matéria a seguir é baseada em “fatos reais”, com um bom suporte técnico.
Não vamos entrar em detalhes técnicos do que é um sistema GPS, o que é um waypoint, como montar uma rota, etc. Vamos ver na prática como o GPS poderá nos ajudar em uma bike. Antes temos que categorizar a utilização do GPS dentro do universo da bike, pois temos algumas linhas distintas que pedem equipamentos distintos. É certo que todos os GPS operam com o mesmo sistema satélite, trabalham baseados em coordenadas, rotas, trajetos, etc., mas junto com o etc vem também várias funções que apontam o GPS para este ou aquele uso com maior propriedade, mas com flexibilidade de opções entre as categorias.
Na prática, temos três grupos de bikers do ponto de vista de categorias de GPS, a saber: Speed, MTB, Cicloturista. Sem dúvida , temos mais categorias, mas elas se encaixam naquelas aqui citadas como veremos a seguir.
SPEED
Esta categoria pede gps pequeno, leve e que possa dar informações detalhadas de performance, dados sobre batimentos cardíacos, giro do pedal, médias, máximas, dados totais por volta, distância, calorias queimadas, altimetria, altitude ascendente, descendente, alarmes de máximas e mínimas no que se refere a limites de velocidade, batimentos cardíacos, registro de todos os dados para análise posterior.
Esta categoria pede a linha EDGE, desenvolvida especialmente para bike, que começou com o Edge 205, 305, 605, 705, 500 e hoje conta com o lançamento do Edge 800, com todos os acessórios necessários para a prática deste esporte em alto estilo.
O edge 205 já saiu de linha; os demais ainda continuam sendo comercializados. Do Edge 205, preto e branco, fraca recepção de satélite, sem mapa, etc., ao edge 800, colorido, touchscreen, mapa digital, etc., houve enorme evolução. Ao final desta matéria, teremos uma tabela comparativa entre os modelos. Vamos aos detalhes de cada um.
EDGE 305
Um equipamento pequeno, medindo 4,4 x 9,0 x 2,3 mm, pesando 88g, com 4 níveis de cinza e bateria para 12 horas.
Instalação fácil, com a fixação de suporte através de duas abraçadeiras plásticas. Vem com dois suportes.
Recepção de alta sensibilidade, funcionando mesmo em terrenos montanhosos entre árvores e canyons.
Acessórios: sensor cardíaco, sensor de roda, sensor de giro do pedal com transmissão wireless, protocolo ANT de alta eficiência e baixo consumo de bateria.
Um computador ciclístico que exibe até oito campos de dados, que podem ser alterados de acordo com suas necessidades em duas páginas.
Os dados disponíveis no computador de bordo são:
1.Distância percorrida total, por volta, última volta.
2.Batimento cardíaco atual, médio ou por volta.
3.Cadência atual, média ou por volta.
4.Calorias.
5.Hora do dia, por do sol, nascer do sol,
6.Tempo de pausa, última volta, da volta, média por volta, média total.
7.Velocidade atual, média, volta, última volta,
8.Zonas de batimentos cardíacos e de velocidade.
Operacional
- Registro de dois atletas e duas bikes diferentes.
- Um COMPANHEIRO VIRTUAL permite-lhe competir como um competidor virtual, tornando o treino divertido e permitindo comparação em tempo real.
- Pausa automática (auto pause), auto lap por posição de coordenada ou distância percorrida.
- Software de treinamento dá a possibilidade de criar elaborar, gerenciar e atualizar traçados e gerar uma análise detalhada do seu deslocamento, mapeando seu desempenho.
- Calorias – Calcula as calorias queimadas baseando-se no perfil do usuário, nos dados do desempenho e nas mudanças de altitude.
- Training Center – Central de treinamento, software para pc onde são descarregados os dados num mapa com gráficos de velocidade, pedalada (cadência), taxa cardíaca, passada e elevação. Cria e projeta formas de desempenho.
- Identifica se você está treinando muito forte ou abaixo das sua capacidade através do monitoramento cardíaco, cruzando informações com seus dados particulares.
Na parte GPS - Navegação do equipamento:
Possui track log com 13.000 trackpoints que registra seu deslocamento e um histórico que pode guardar até 1000 voltas com precisão.
Aceita marcação de waypoint, e download de rota.
Não possui mapas, mas sua tela de navegação apresenta o trajeto e/ou rota planejada, podendo optar ainda por navegar pela tela bússola. De quebra, podemos acompanhar a altimetria através de um perfil altimétrico em tempo real.
Este é um equipamento dirigido para quem busca performance. O GPS prioriza informações técnicas que permitem analisar seu treino, acompanhar uma evolução e planejar treinos futuros. Funciona como um perfeito Training. Não quer dizer que um ciclista que pratique MTB ou cicloturismo não possa usar o Edge 305 ou qualquer outro desta linha, mas um bom mapa detalhado de trilhas, com uma tela de tamanho razoável, seria mais útil. Temos também o fator custo e estes equipamentos de alta performance são mais caros do que um GPS básico que pode ser usado em MTB ou Cicloturismo.
Mas se o Edge 305 é o mais “fraco” da linhagem no mercado, imagine então o que vem pela frente. Para evitar ser repetitivo, vou falar apenas do que será agregado, do que vem a mais ou a menos, nos outros modelos, tendo como base o Edge 305 .
EDGE 605
Ganhou uma tela maior e colorida, com mapas via data card (micro sd),
no entanto perdeu os acessórios como sensor cardíaco, de roda e giro.
Dimensões: Um pouco maior que o Edge 305, passando a 5,1 x 10.9 x 2,5 cm, pesando 105 g.
Tela a cores medindo 3,5 x 4,4 cm.
Bateria recarregável com duração para 15 horas, que dá para o uso diário.
MAPA
O mapa é o grande diferencial deste modelo. Com slot para inserção de cartão de dados Micro SD, permite inserir mapas de grandes dimensões como Europa, Estados Unidos e/ou América Latina. Você pode ter todos estes mapas no cartão SD. Na seção de mapas, você poderá escolher qual dos mapas irá utilizar no momento. O GPS tem capacidade de roteamento automático, ou seja, você pode entrar com uma cidade, rua e número que ele irá roteirizar automaticamente e guiar você ao endereço indicado. O GPS EDGE 605 não fala, mas ao chegar próximo às manobras, emite um alarme e exibe na tela o tipo de manobra como: entrar a esquerda, direita etc... Na hora do aperto, quebra um belo de um galho como navegador.Para que estes aparelhos atuem como navegadores ou para que apresentem mapas detalhados, é necessária a aquisição dos referidos mapas, geralmente em micro sd para serem inseridos no aparelho.
Alguns mapas são de domínio público e podem ser baixados da internet, como os mapas do padrão tracksource.
A tela, apesar de ser muito pequena, é clara, nítida, de alta definição, permitindo uma boa leitura do mapa. No entanto, se você já passou dos 50 anos, não esqueça o óculos.
A ausência de sensores cardíacos, de roda e de giro, o desqualifica como um GPS para quem busca performance, treino de alto nível. O mapa o qualifica para um uso misto, em cidade, estradas ou off- road.
EDGE 705
O EDGE 705 é uma soma do Edge 305 com o Edge 605, qualificando-o para uso em treinos de alta performance em função dos sensores cardíaco, de roda e pedal.
Os modelos 605 e 705 possuem um sistema de transmissão de dados entre si via wireless, bastando solicitar a transferência através de um comando e a outra parte consentir. Você pode obter informações ou enviar para amigos sem necessidades de um pc, cabos, etc.
Desta forma o EDGE 705 passa a ser um GPS multiuso, excelente para o uso em speed, em treinamentos, onde são necessárias medições precisas de performance, onde cada segundo pode fazer a diferença, mas bom também para o MTB, e Cicloturismo, se o fator preço não for um impecílio.
A capacidade de mapas e roteamento é fantástica, se considerarmos o tamanho do equipamento, o que é ideal para uso speed, onde cada grama também pode fazer a diferença.
Como veremos na próxima matéria, para uso MTB ou de Cicloviagem, onde 100 g a mais não faz diferença, mas um gps com tela maior ajuda muito na navegação, permitindo a visualização de uma área maior, uma análise mais rápida e prática para longos deslocamentos, situações nas quais uma boa navegação é importante.
EDGE 800
Novo lançamento da Garmin direcionado para bike vem com várias novidades.
Um GPS ligeiramente menor que o EDGE 605/705, medindo 5,1 x 9,3 x 2,5 cm. , porém a tela é maior, medindo 3,8 x 5,6 cm e com peso levemente inferior, 98 g.
Suporta o registro de 200 waypoints contra os 100 dos seus antecessores, que entram como favoritos.
Além de todos os dados dos seus antecessores, como sensores cardíaco, de roda e de giro, ele marca temperatura que é registrada como todos os outros dados. Ao descarregar no PC, você pode ter a curva de temperatura durante o treino.
O grande diferencial é a tela TOUCHSCREEN e características de roteamento que o aproxima mais de um navegador (veicular) do que um GPS propriamente dito (sistema off- road).
Não testamos na prática, uma vez que o equipamento ainda não está disponível no Brasil.
Assim como em outras linhas de aparelhos GPS da Garmin, a tendência é a extinção dos botões, passando a operar com toques na tela – Touchscreen. Assim sendo, acredito que este gps venha substituir em breve os demais da linha Edge.
Acredito que neste instante você deve estar se questionando se um gps com tela touchscreen irá aguentar, ser tão resistente quanto os de botões em uso off road, onde temos poeira, lama, água e outras sujeiras é uma constante. E eu respondo que sim, sim porque temos experiência na linha automotiva off road, onde GPS como a linha Zumo, Nuvi 500 substituiram famosos GPS como o MAP 276 C em grande estilo, aguentando por exemplo um Rally dos Sertões, quer uma “prova de fogo” maior que esta?